Pular para o conteúdo principal

Agricultura orgânica é mais lucrativa para os produtores, diz estudo

Agricultura orgânica é mais lucrativa para os produtores, diz estudo

Pesquisadores fazem análise de abrangência global e concluem que preços pagos para produtores orgânicos são até 32% maiores que os da produção convencionalartigo publicado no dia 02/06/2015 - O Estado de S. Paulo
A agricultura orgânica é mais lucrativa para os produtores que a agricultura convencional, de acordo com um novo estudo publicado hoje na revista científica PNAS.  A pesquisa, de abrangência global, foi realizada por David Crowder e John Reganold, da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos.
  De acordo com o estudo, embora tenha rendimento menor, a agricultura orgânica tem margens de lucro consideravelmente maiores que a convencional.  A conclusão dos autores, a partir desse resultado, é que há espaço para uma ampliação da produção de orgânicos, que poderia trazer benefícios ambientais ao contribuir com uma cota maior para a produção sustentável de alimentos.  Atualmente, a agricultura orgânica responde por apenas 1% das atividades agrícolas no mundo.
 Os preços atualmente pagos para produtores orgânicos variam entre 29% e 32% acima dos preços convencionais, segundo o estudo.  Mesmo quando o rendimento do plantio orgânico chega a ser 18% menor que o plantio convencional, a agricultura orgânica chega a ser entre 5% e 7% mais lucrativa.  "Isso foi uma grande surpresa para mim.  Significa que a agricultura orgânica tem espaço para crescer e que há espaço para que os preços caiam com o tempo.  Mas o que descobrimos é que os preços relativos têm se mantido bastante constantes nos 40 anos representados no estudo", disse Reganold.
Os autores afirmam que a agricultura orgânica, para ser sustentável, precisa ser lucrativa.  Isso os motivou a analisar dezenas de estudos, a fim de comparar o desempenho financeiro das fazendas orgânicas e convencionais.  "A razão pela qual quisemos nos deter sobre a economia é que, acima de qualquer outra coisa, esse é o fator que determina a expansão e a contração das plantações orgânicas: se os fazendeiros estão ou não ganhando dinheiro.  É um tanto surpreendente que ninguém tenha feito essa análise com um sentido amplo", escreveram.  
O preço relativo dos orgânicos dá aos produtores um incentivo para adotar práticas agrícolas mais sustentáveis.  Os autores do estudo sugerem que políticas públicas poderiam estimular a adoção de práticas de produção orgânica para facilitar a transição para os produtores tradicionais.  
A partir de 129 estudos iniciais, os autores escolheram 44 que se encaixavam em seus critérios para a inclusão em uma análise de custos, faturamento bruto, razões de custo-benefício e valores atuais líquidos - uma medida que leva em conta a inflação.  A análise representou 55 culturas diferentes em 14 países de cinco continentes.  O artigo fornece os critérios utilizados para selecionar os estudos e uma lista de todos os que foram rejeitados.  "Essa é a primeira síntese de larga escala da sustentabilidade econômica da produção orgânica comparada à convencional", disse Crowder.
 Uma novidade da análise foi a inclusão de dados de rendimento da produção e de dados econômicos para culturas que faziam parte de sistemas de rotação, além de dados relacionados apenas a monoculturas.  O estudo incluiu dados sobre o lucro gerado por múltiplas culturas produzidas em diversas estações, para ter um reflexo mais preciso sobre os ganhos dos agricultores.  
Nenhum dos estudos utilizados na comparação levava em conta os custos ambientais e os benefícios da agricultura.  Os custos ambientais tendem a ser menores e os benefícios maiores com a agricultura orgânica.  Segundo os autores, os preços relativos são um forte incentivo para os produtores fazerem a transição da agricultura convencional para a orgânica.  "A maior parte dos produtores com que trabalhamos fazem poucas plantações orgânicas e muitas convencionais.  Se eles ganharem um pouco mais de dinheiro com a área plantada com orgânicos, eles poderão converter mais espaço nas fazendas", disse Crowder.  
Mas, segundo os pesquisadores, os fazendeiros que se convertem à agricultura orgânica estão em posição vulnerável.  O período de transição para a certificação orgânica expõe os produtores a riscos financeiros, quando o rendimento da produção cai e eles ainda não estão sendo pagos com os preços relativos maiores dos orgânicos.
 "O desafio para os gestores é desenvolver políticas públicas que apoiem os produtores convencionais a converter suas plantações para uma produção orgânica e para outros sistemas sustentáveis, especialmente durante o período de transição, geralmente nos primeiros três anos", disse Crowder.
01 Junho 2015 | 20h 56

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Turma do Curso de Agroecologia do IF Baiano Campus Uruçuca fará trabalho com comunidades do entorno do Instituto

Os alunos do Curso de Agroecologia do IF Baiano, campus Uruçuca, estarão realizando  diagnóstico participativo com grupos associativos do município de Uruçuca. A disciplina de Metodologias Participativas de Intervenção, fez o desafio para que  eles levantassem dados de alguns grupos associativos, escolhidos por eles. A importância deste trabalho é que passa-se a ter maior conhecimento das demandas e potencialidades locais, ao mesmo tempo em que inicia a formação de um banco de dados auxiliando  futuras ações do Instituto com a comunidade. Os grupos escolhidos pelos alunos foram: A Associação de Pescadores e Marisqueiras de Serra Grande, A Associação dos Agricultores do Corisco, O PA Rochedo, A Associação dos Agricultores dos 3 Paus e Associação dos Agricultores do Barrocão. O grupo que que fará o trabalho com os Pescadores de Serra Grande, fez um primeiro contato, onde a receptividade foi muito boa e a Associação mostrou um grande interesse na realização deste trabalh...

Governo libera uso de agrotóxicos sem registro

Governo libera uso de agrotóxicos sem registro Publicado em Quinta, 11 Abril 2013 16:16 da Agência Estado Mesmo com dois pareceres técnicos contrários, o Ministério da Agricultura (Mapa) liberou o uso de um agrotóxico não registrado no País para combater emergencialmente uma praga nas lavouras de algodão e soja. A decisão, publicada anteontem no Diário Oficial, permite o uso de defensivos agrícolas que tenham em sua composição o benzoato de emamectina, substância que, por ser considerada tóxica para o sistema neurológico, teve seu registro negado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2007. O uso de agrotóxicos no País é norteado por pareceres do Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos (CTA), formado por membros dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente e da Anvisa - os dois últimos são encarregados de avaliar os riscos do uso de defensivo para o meio ambiente e a saúde pública.Em março, diante da praga da lagarta quarentenária A-1 Helicov...

Trangênico a mentira.....

Agricultores dos EUA podem parar de plantar GMs depois do rendimento global pobre FARMERS WEEKLY - Robyn Vinter Wednesday 06 February 2013 08:30 http://www.fwi.co.uk/articles/06/02/2013/137518/us-farmers-may-stop-planting-gms-after-poor-global-yields.htm   Alguns agricultores dos EUA estão considerando retornar a semente convencional após aumento de resistência de pragas falhas no cultivo significando que cultivos de GM mostraram menores rendimentos globalmente do que suas contrapartes não-GM. Agricultores nos EUA pagam um extra em torno de $100 por hectare para as sementes GM, e muitos estão questionando se eles vão continuar a ver os benefícios do uso de GMs. "É tudo sobre análise de custo benefício," disse o economista Dan Basse, Presidente da empresa de pesquisa agrícola americana AgResource. "Os agricultores estão a pagar extra para a tecnologia mas viram rendimentos que não são melhores do que há 10 anos. Eles estão começando a se perguntar por ...